sábado, 14 de junho de 2008

Lenda do Lavrador Desatado


Há muitos, muitos anos atrás, o vinho do Porto era transportado de Sebadelhe para o Vesúvio em carros de bois pelos lavradores.
Um dia quando dois lavradores regressavam do Vesúvio, chegaram junto a ponte Romana da Ribeira Teja e por ali pernoitaram. Os dois lavradores, o Francisco e o António, deitaram-se a dormir.
De manha quando acordaram, o Francisco estava em perfeitas condições e o António estava todo arranhado, parecia até que tinha caído num silveiredo.
O Francisco olhou para ele e perguntou:
- "O quê que te aconteceu?"
- "A mim nada, estive sempre a dormir." Mas depois lembrou-se...
- "Há, eu sonhei que andava com umas feiticeiras a cantar e a dançar em cima de uns silveiredos".
O Francisco admirado disse:
- "Olha amigo diz-me lá! Tu antes de te deitares benzeste-te e rezas-te?"
- "Eu cá não, não ligo a essas coisas" respondeu o António.
- "Então olha que sempre foram as feiticeiras que te levaram, para cima dos silveiredos, não foi sonha, mas realidade."
E o António respondeu: "Eu cá não acredito em feiticeiras".

Então os dois lavradores combinaram o seguinte:
"Na próxima noite voltamos a dormir cá."

E assim fizeram.

No dia Seguinte, deitaram-se debaixo da ponte mas não adormeceram.
O Francisco benzeu-se, o António não.
Depois da meia-noite, apareceram as feiticeiras, chegaram junto dos lavradores e disseram umas para as outras:
- "Um está atado e outro desatado."
O atado era o Francisco e o desatado era o António.
O desatado foi levado pelas feiticeiras e andou outra vez a dançar e a cantar por cima do silveiredo, mas bem acordado.
Quando voltou de manhã o Francisco perguntou-lhe:
- "Então eu tinha, ou não tinha razão?"
- "Isso de tu te benzeres e eu não, ainda não acredito." Respondeu o António.

Combinaram então, voltarem a dormir no mesmo local, e de se benzerem os dois.

Depois da meia-noite voltaram as feiticeiras, e eles acordados fingindo que dormiam, chegaram junto dos lavradores e perguntaram:
- "Então como é que eles estão?"
- "Estão os dois atados, hoje não podemos fazer nada:"
As feiticeiras foram embora e os lavradores ficaram em paz.

- "Então agora já acreditas?" Perguntou o Francisco que sempre se benzeu.
- "Agora sim, já acredito!!!"

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